Esteroides anabolizantes e seus riscos para a saude

ATIVIDADE FÍSICA, SAÚDE

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Vivemos em uma época de supervalorização do corpo. Esta preocupação pode ser notada de várias formas. Algumas delas é o considerável crescimento de praticantes de musculação nas academias de ginástica nos últimos anos, o aumento na procura de cirurgias plásticas, a procura por substâncias que favorecerão os resultados desejados de forma mais rápida… Todos querem resultado, e quem para já!

No âmbito da musculação, há uma maior evidência do consumo dessas substâncias, sendo que a utilização dos esteróides anabólicos é principalmente motivada pelo fator estético. A cobiça pelo corpo perfeito tem levado jovens e adultos saudáveis a utilizar suplementos nutricionais, hormônios proibidos e a adotar dietas de restrição calórica e nutricional extremamente rígidas.

Aspectos sobre a saúde do corpo são negligenciados e o culto ao corpo leva indivíduos ao uso em doses suprafisiológicas  e sem orientação de um profissional capacitado, o que acaba acarretando sérias complicações para a boa integridade da saúde cardiovascular, reduzindo níveis de lipoproteínas de alta densidade (HDL-colesterol) – que desempenham um importante papel de proteção do leito vascular – e elevando os níveis de lipoproteínas de baixa densidade (LDL-colesterol) – que favorecem o surgimento de graves doenças cardiovasculares se estiverem presentes em taxas aumentadas.

Existem ou existiram várias formas de produção destes esteróides anabólicos (EA) sintéticos e dentre elas estão: cremes, supositórios, selo de fixação na pele e sublingual, sendo os mais conhecidos os administrados de forma oral ou injetável.

Cada tipo possui sua forma de utilização. Os orais são comprimidos geralmente tomados parceladamente durante o dia pelos usuários. Após a ingestão, a droga passa pelo estômago, é absorvida pelo pequeno intestino, processada pelo fígado ficando, então, disponível na corrente sanguínea. Esteróides orais são menos potentes. Eles tiveram sua estrutura química modificada pelos cientistas por um processo 17 α-alcalinização para evitar que fossem destruídos no fígado, já que este tem a tendência de destruir qualquer substância estranha ao corpo humano.  Através deste processo preserva-se as propriedades ativas dos esteróides, mas como desvantagem, uma grande sobrecarga é sofrida pelo fígado, que, forçado a lutar contra algo que não pode processar, acaba sendo danificado.

Os esteróides injetáveis são administrados via intramuscular e são encontrados em bases oleosas e alguns são dissolvidos em água. Passam para a corrente sanguínea via muscular permanecendo nela por mais tempo, vista que o óleo se dissipa lentamente do local da aplicação devido a sua viscosidade. Podem ser administrados a cada semana ou de duas em duas semanas. São considerados menos nocivos do que os orais, porque não passam pelo processo de alcalinização e a desvantagem é que eles são mais tóxicos para os rins, além do desconforto causado pela injeção.

Dentre os EA mais comumente utilizados via oral, podemos destacar: Oximetolona (Anadrol), oxandrolona (Anavar), metandrostenolona (Dianabol) e estanozolol (Winstrol). Quanto as injetáveis, estão entre os mais utilizados: Decanoato de nandrolona (Deca-Durabolin), cipionato de testosterona (Depo-testosterona) e fenilpropionato de nandrolona (Durabolin).

Quanto maior for a combinação de anabólicos e quanto maior for o período de utilização, maiores serão as conseqüências sofridas. Sabe-se que nessa busca pela vantagem física, além de fatores secundários não benéficos associados, estão, principalmente, os prejuízos causados no metabolismo lipídico alterado, bem como seu reflexo no sistema cardiovascular.

O uso indiscriminado de EA relaciona-se com alterações nos níveis das lipoproteínas elevando os níveis das lipoproteínas de baixa densidade (LDL-colesterol) e reduzindo os níveis das lipoproteínas de alta densidade (HDL-colesterol) – importante esclarecer que os EA se constituem em um dos elementos que podem originar ou potencializar a dislipidemia, já que fatores como estilo de vida, mau hábito alimentar e herança genética predispõem o perfil lipídico prejudicado – causando prejuízos ao sistema cardiovascular à medida que reduz os níveis de proteção ao leito cardiovascular e aumenta os riscos à formação de placas ateroscleróticas na parede das artérias levando a uma grave doença associada ao controle do perfil lipídico denominada aterosclerose. A formação de trombos originados de coágulos sanguíneos um após o outro provoca a oclusão coronária que cessa o suprimento no músculo cardíaco resultando em outra grave doença denominada infarto agudo do miocárdio.

A questão é uma só: o que você está disposto a fazer para se encaixar no padrão estético imposto pela sociedade? O que muito se observa por aí são pessoas fazendo uso de tais substâncias e levando um estilo de vida totalmente desregrado, incluindo má alimentação e consumo de bebidas alcoólicas acreditando que encontraram a fórmula mágica para o corpo perfeito. Ainda não inventaram fórmula mais segura e saudável (e nada secreta) do que a prática de exercícios físicos, alimentação balanceada e repouso. Ninguém está dizendo que é fácil, e, justamente por não ser fácil, as pessoas acabam buscando a forma mais rápida e cômoda sem a menor preocupação em, pelo menos, se informar sobre o que estão ingerindo. Cuide do seu corpo da forma mais saudável possível… Ele irá responder no futuro pelo que você tem feito com ele no presente.

Juliane Zanfranceschi

Preparadora fisica

CREF 6914 G/GO

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